Índia – Kochi – 4 de outubro

Passamos 4 dias em Kochi que fica no estado de Kerala no sul da Índia. Kerala significa terra do coco e isso fica evidente já na chegada. Coqueiros podem ser vistos por todos os lados. A culinária local é baseada em peixes e frutos do mar e quase todos os pratos típicos incluem óleo de coco além de leite de coco e coco ralado.
Kochi é a maior cidade do estado com aproximadamente 600.000 habitantes e foi considerada o sexto melhor destino turístico da Índia.
A cidade já foi conhecida como a Rainha do Oceano Árabe por ser um importante centro de comercialização de especiarias. Foi ocupada pelos Portugueses em 1503 se tornando a primeira colônia européia na Índia. O domínio português durou mais de um século e se estendeu até 1663. Todos queriam um pedaço desse bolo saboroso e depois dos portugueses foi a vez dos holandeses e finalmente a Inglaterra.
O porto ainda é muito importante e da varanda de nosso quarto que fica a beira de um canal é possível ver gigantescos navios cargueiros passando.
Apos a independência da Inglaterra Kochi foi a primeira região a se unir ao novo estado da Índia voluntariamente.
Ficamos em um lado muito agradável da cidade onde é possível fazer tudo a pé. Lojinhas e restaurantes estão espalhados por praças e pela beira do canal.
Não vimos tantas vacas nas ruas, apenas algumas cabras. Os corvos no entanto, não deixam a gente esquecer por um momento a sua existência. De manhã acordamos com uma festa de gritos e durante o dia, apesar de não ser tão intensos, os gritos se espalham pelas árvores na frente de nosso quarto.
No segundo dia fomos dormir em um barco. Parece ser uma atividade querida pelos indianos. O porto de saída devia ter uns 300 barcos. A cada dia 8 novos barcos são produzidos. Eles são grandes e confortáveis. O teto é todo de bambu e atrás do barco tem um gerador que dá conta não só de ventiladores no quarto como também ar condicionado.
O barco tinha três marinheiros. Um cuidava do leme, outro das refeições e um terceiro fazia todo o resto. A comida era simples mas boa. Sabíamos que o almoço estava sendo preparado quando sentíamos o cheiro inconfundível do óleo de coco. O passeio foi muito gostoso. O visual era lindo. Coqueiros, pequenas casas, canoas, plantações de arroz a perder de vista. Ver o mundo local no ritmo do barco é uma sensação única. A vagarosidade do barco vai tomando conta e tudo fica mais tranquilo. As 5 da tarde um chá de tchai foi servido com banana da terra frita. Uma delícia. Nossa sala de estar, no meio do barco com um sofá e duas poltronas, parecia meio fora do lugar, mas o conforto ultrapassou qualquer expectativa. Outro item inesperado foi uma TV de tela plana na parede da sala. Aproveitamos para ouvir os últimos hits indianos. Também foi muito bom para a festa que foi organizada com muita pompa e expectativa pela Beatriz. Ela preparou as fantasias, danças e jogos. Foi muito divertido. O espetáculo aconteceu antes do jantar. Não tem imagem mais bonita do que a Be dançando inspirada na Índia e como pano de fundo a noite iluminada pela lua cheia no canal.
Pelo caminho vimos muitas pessoas utilizando o canal para suas tarefas diárias. Banho, limpeza de roupa, transporte e pesca.
A equipe não falava muito inglês, então nossa comunicação foi muito pequena.
Dormi como uma sereia.
No dia seguinte de manhã voltamos para Kochi. Passeamos um pouco pela cidade. De tarde, Renato e eu fomos em busca da tigela de óleo para a Dani. O medico ayurvédico do hotel nos falou de uma loja que ficava do outro lado do canal. Fomos de balsa. O inglês, apesar de ser a lingual oficial do país, não é falado por todos e a comunicação em lugares que não tem muitos turistas fica um pouco complicada. A fila da balsa era grande. Tinha uma para mulheres e uma para homem. Na hora que o portão abriu para a entrada na balsa foi um corre pra capá. Todos queriam sentar nos bancos e o espaço individual é um conceito muito distante nesses momentos.
De noite resolvemos fazer uma aula de culinária. Achei uma sugestão no Trip Advisor. A aula era na casa de um casal indiano cristão. Eles eram muito organizados. A esposa deu o início da aula enquanto seus dois filhos corriam ensandecidos pela casa. O marido ficou de assistente até chegar a hora de preparar o pão.
Ela era toda certinha e seu mis em place foi impecável. A aula começou as 7 da noite. Sete e meia teve um apagão que já era esperado. Eles rapidamente trouxeram duas lanternas e continuamos a aula como se nada estivesse acontecendo. Todos participaram um pouco e até o Renato entrou na dança abrindo o pão que era feito de farinha, água e óleo de coco e frito em uma frigideira de ferro. Aprendemos a fazer 4 pratos. O resultado ficou muito bonito e muito apimentado. Eu só fui pedindo mais água.
No próximo dia Bão, Suo e Be foram a um parque aquático e Renato e eu exploramos um pouco a cidade. Andamos por ruazinhas estreitas e aproveitamos para experimentar uma massagem ayurvédica.
“Neste momento especifico estamos dentro de uma balsa com nossas malas em cima do carro sem estarem amarradas. Houve uma discussão muito grande entre o motorista e alguém que achou que ele furou a fila da pequenita balsa que cabe 10 carros. Enquanto a discussão corria tinha dois indianos do nosso lado abraçados e só ouvindo a conversa. Os homens são muito carinhosos uns com os outros e é comum vermos eles caminhando de mãos dadas ou abraçados.”
Agora de volta a massagem.
Eu adorei a minha. Fiz primeiro uma Abhyanga, massagem no corpo e depois Shirodhara. Foi muito interessante. Sai da massagem bem relaxada e quase flutuando. O Renato já não gostou tanto. Queria só fazer a do óleo, mas o terapeuta se confundiu.
Depois da massagem fomos assistir a um espetáculo de dança tradicional do sul, Kathakali. A maquiagem é bem forte e a dança é famosa por exigir uma destreza na manipulação dos músculos faciais.

Hoje estamos voando para Nova Deli e amanhã iremos para Varanasi, onde está o rio Ganges.

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3 comentários em “Índia – Kochi – 4 de outubro

  1. Queridos Fabi e Renato,
    Estou me deliciando com seus relatos da viagem. Que experiência única!
    . É realmente uma civilização e cultura bem diferentes.
    Abraços.
    Dagmar

  2. É um trabalho lindo que esta fazendo ! Estou adorando ler! Fiquei imaginando o corvo com opulmão!!! E o slide shoW?!!Que coisa linda! Voce é muito inteligente para esttas coisas de internet! Só fiquei curiosa para ver a Beatriz vestidinha de indiana ou dançando . bjs

  3. Fabi, qual foi o óleo que usaram para você? E por que o Renato não gostou? Ele é muito pitta, teriam que ter usado óleo de coco e não muito….

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