Phuket e Phiphi

Nossa última semana na praia foi muito gostosa. Phuket é uma Las Vegas Tailandêsa. Super cheia. Muitos jovens. Bares sem fim. Música eletrônica por todo o lado. Já Phiphi é um pouco mais tranquilo. Um pouco… já que nosso hotel ficava a 15 minutos de caminhada do centrinho que também tem milhares de bares e restaurantes, mas a beleza do lugar totalmente compensa. O mar é turquesa e as formações rochosas são de cair o queixo.
O mergulho foi fantástico. Muitos peixes de todas as cores possíveis. A água é quentinha e quem não quiser mergulhar pode curtir muito o visual só fazendo snorkel. Nosso quarto ficava num tipo de casa de árvore com vista para árvores e depois o mar. O hotel tinha uma praia pequena particular e muitos lugares para dormir e ler.
Hoje vamos para Madrid. Ficaremos 3 noites lá. Na sexta estamos de volta na terrinha. Posso dizer que volto reenergizada, feliz e pronta para qualquer outro desafio. O ano de 2012 ficou marcado por intensas emoções e este final foi cheio de estrelinhas. O Re é um super companheiro. A família Papini nos mostrou o lado doce e fabuloso da Índia. Toni foi só diversão e tranquilidade. Obrigada a todos por nos acompanharem em nossas aventuras. Foi muito gostoso dividir tantos momentos com vocês.

Beijos

Fabi

ps – amanhã publicarei o vídeo de Phiphi pq agora tenho que ir para o aeroporto.

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Tailândia – Uthai Thani – 24/10/2012

O dia começou bem cedinho. Acordamos as 6h30. Depois de um café reforçado saímos primeiro de van para conhecer o templo do Buda deitado, ainda maior do que o Buda deitado de Bangkok. Lá seguimos nosso guia e pedimos por uma boa jornada com a oferenda de uma flor de lotus, três incensos e uma vela. Depois soamos o gongo três vezes. Dentro do templo também é possível fazer um pedido e saber se ele se realizará ou não. Primeiro levanta-se o elefante com o dedo mindinho (se for homem),  e o vizinho do mindinho (se for mulher), depois tenta-se levanter o elevante novamente. Se isso não for possível seu desejo se realizará. Eu fui meio que na brincadeira e fiz um pedido. Não é que na segunda vez eu não consegui? Mistério…
Os Tailândeses são muito organizados. Em todos os templos muitas tabelas são expostas com o número de turistas mensal e outras que infelizmente não conseguimos decifrar pois o abecedário deles é muito diferente do nosso. As doações também são arrumadinhas. Hoje vimos caixas de plástico que continham itens como café, bolacha, açúcar e sal entre outros. Você dava o dinheiro e já passava para o monge que estava sentado ao lado das caixas organizadas. Tivemos a oportunidade de sentar e ser agraciados com água abençoada, além de uma conversa com o monge que foi traduzida por nosso guia. Ele falou muitas coisas mas o que mais marcou foi quando ele mencionou o trabalho. Disse que quando paramos para beber água ou comer, por exemplo, que era importante parar de pensar no trabalho e concentrar somente no ato presente, seja o que for.
Passamos também em um mercado para comprar frutas. Nosso guia aproveitou para nos mostrar um costume local. Enguias, tartarugas, sapos e outros seres são armazenados vivos para que depois alguém os compre e os solte na natureza. Ele comprou enguias, peixes e uma tartaruga pequena. Soltamos todos no rio na frente do mercado.
Ant (guia) também comprou uma iguaria bem local. Arroz, leite de coco e açúcar com feijão preto, cozidos dentro de um pedaço de bambu. Super gostoso.
Depois andamos mais 100 km de van e começamos o passeio do dia.
O visual é muito bonito, pequenas vilas com casas muito coloridas. No ano passado a enchente foi bem grande e todas as casas foram repintadas. Aqui ninguém tem medo de cor e pensamos se é possível que tanta cor afete de alguma maneira o astral do lugar. Muitas casas também têm um vaso gigante do lado de fora. Era usado antigamente para o armazenamento de água. Algumas casas têm duas mini casinhas do lado de fora. Uma é para os antepassados, que inclui uma escadinha para eles alcançarem mais facilmente seu abrigo. A outra é para os espíritos da natureza. Eles aparentemente conseguem chegar na casa sem a ajuda da escada.
A maioria das casas é construída em palafitas. Durante a época das chuvas os rios sobem muito e assim as casas ficam protegidas. Antigamente além das palafitas os tailândeses colocavam uma separação baixa entre cada cômodo que tinha duas funções. Uma era proteger os bebês para não caírem das palafitas e a outra era para evitar que espíritos maus deslizassem para dentro da casa.
O encontro com os macacos foi bem emocionante. Eles gostaram muito das bananas oferecidas e nos deram um espetáculo de movimento.
Um cachorro correu atrás de mim…
Na hora do almoço já tinhamos andado uns 40 km. O lugar escolhido foi na beira de um rio e o menu foi peixe frito, bolinho de peixe, sopa e arroz branco.
Terminamos a jornada admirando um passeio de um grupo enorme de patos.
Nosso hotel fica na beira do rio também e aproveitamos para nadar um pouco na piscina antes de escurecer. Não contentes da longa jornada do dia, passamos um bom tempo nos divertindo com um nado sincronizado que de sincronizado não tinha nada.

Tailândia – Ayutthaya – 23/10/2012

A Tailândia é um país que fica a 16.000 km de distância de São Paulo. Praticamente do outro lado do mundo, mas nem por isso é desconhecido.
Várias obras foram filmadas ou inspiradas por essa cultura tão diferente da nossa. Quem tem mais de quarenta anos, talvez se lembre do filme O Rei e Eu, estrelado pelos carismáticos Deborah Kerr e Yul Brynner. Particularmente, eu que tenho mais de quarenta, me pego cantarolando a música que ficou famosa no filme: Shall we dance, autoria dos geniais Richard Rodgers e Oscar Hemmerstein II (também “pais” das músicas do cultuado A Noviça Rebelde). Quem é mais jovem deve ter visto o filme A Praia, com o galã Leonardo DiCaprio, filmado nas lindas praias de Ko Phi Phi Lee e Phuket.
A paisagem é exuberante e o país inclui regiões paradisíacas como as montanhas no norte onde encontramos tribos genuínas como as mulheres de Karen Padaung, que usam anéis no pescoço exibindo símbolo de beleza e status.
O país é o único da região que não foi colonizado. É extremamente espiritual com 95% da população pertencendo a uma linha da religião budista. Os festivais são fabulosos, coloridos, alegres e perfeitos como ambiente para saborear muitas iguarias. A culinária é rica e saborosa. Entre a gastronomia do sudeste da Ásia ela se distingue apesar de ter influências chinesas, indianas, persas, árabes e até dos portugueses – ou até por causa disto -. Em quase todos os pratos é possível sentir doce, azedo, amargo, sal e pimenta.
O povo tailandês aprendeu muito com outras culturas o que resultou em uma cozinha com um sabor próprio e inesquecível.
Breve linha do tempo. No século 17, os portugueses trouxeram suas receitas de doces para o corte do Rei Narai. Os chineses contribuíram com técnicas de fritura e macarrão. Em torno de 1660, o comércio cresceu e os estrangeiros trouxeram novos ingredientes em sua bagagem. O leite de coco, comum hoje em dia na Tailândia, ainda não era usado. Comerciantes ocidentais utilizavam o leite em suas receitas e sugeriram a adição nos molhos tailandeses. Acredita-se que monges budistas trouxeram o curry da Índia no século 18. Com a especiaria, pratos indianos e muçulmanos foram oferecidos em um banquete para o rei Rama I. Alguns deles são consumidos até hoje como o Masaman curry e o curry amarelo. O Masaman curry contém especiarias como a canela e a noz-moscada. O curry amarelo é feito com cúrcuma, cominho, coentro e pimenta.
Ervas e especiarias são essências na cozinha tailandesa. Quase toda receita começa com uma pasta feita com cebola, alho e pimenta. Depois vem a adição das especiarias como cominho, pimenta caiena, gengibre tailandês, capim limão e cúrcuma. Sobremesas e aperitivos não são servidos regularmente no dia a dia. Aperitivos são apreciados acompanhando lanches e as sobremesas servidas em banquetes.
A culinária vária em cada região. O norte é mais frio e pratos com curry e leite de coco aquecem o corpo na região montanhosa. A parte central é a mais fértil e sua cozinha reflete isso com grande variedade de vegetais. No sul o povo acredita que morar em uma região úmida pode causar doenças e o calor do alimento os protege de febres, por isso a comida tende a ser mais quente e apimentada.

Hoje estamos em Ayutthaya. O hotel é uma graça.
Andamos 30 km de bicicleta. Foi tranquilo. O visual foi bem rural. Campos de arroz e pequenas estradas. Conhecemos uma das casas de verão do rei (que no momento tem 84 anos e está no hospital) e dois templos lindos. Um era no estilo de Cambodia e outro era de um Buda sentado na posição anti mal olhado. Aproveitamos para fazer preces e tirar nossa sorte.
Chegamos no hotel bem cansados mas felizes. O hotel é uma graça, tem um laguinho na frente e fica na beira do rio. A piscina depois do tour de bicicleta foi uma delícia e aproveitamos para fazer uma massagem tailândesa (a verdadeira, sem final feliz…). Foi muito relaxante.
Jantamos uma comida deliciosa. Pad thai, frango com amendoim e uma sopa com frango e coco super saborosa. Nosso guia é fantástico. Seu nome é Ant e ele tem um sorriso permanente. Super simpático e cheio de informações. Já nos deu uma super dica de praia para o final da viagem.
Amanhã andaremos 60 km. Será um desafio ótimo! A van que nos acompanha é uma tranquilidade e toda hora nos oferecem snacks, frutas e água. O trânsito aqui é bem mais tranquilo do que na Índia e flui sem problemas.
Observamos que todas as casas possuem miniaturas de casas na frente. Isso é em honra aos antepassados que sem essas casas voltariam para assombrar as casas habitadas. Dessa maneira eles têm uma casinha para visitarem do além quando querem.
Fotos do rei e da rainha são vistas por todos os lados. Eles são mesmo adorados. O rei anterior tinha mais de 100 esposas. O atual se contentou só com uma. As comidas que vemos na rua são variadíssimas e ainda não nos aventuramos completamente nesse quesito.

Bangkok – 22 de outubro de 2012

Chegamos em Bangkok!
A última semana na Índia foi muito gostosa. Pessoas fabulosas e uma cidade muito interessante.
Bangkok é uma cidade muito grande. Mais de 8 milhões de pessoas. O visual lembra um pouco São Paulo, muitos prédios e muitos carros.
O trânsito é lento e a melhor opção para passear na cidade é o metrô que é limpo e organizado.
Visitamos alguns templos, uma loja museu de um americano que incentivou o mercado de sedas e um mercado gigantesco no domingo e também assistimos a um show de drags.
As pessoas são muito gentis mas o inglês é meio truncado. Não dá para entender tudo.
Nosso hotel fica na Chinatown da cidade. Tem um festival acontecendo com dragões e barraquinhas de comida. Já um pouco mais descolados da viagem na Índia nos sentimos a vontade de experimentar algumas coisas.
Hoje passamos o dia com tigres! (próximo post)
Amanhã começaremos nossa tour de bike.

Varanasi – Índia – 07 de outubro

Varanasi, como disseram nossos amigos é a verdadeira Índia. Talvez seja porque a cidade em certos momentos te engole por inteiro. Todo o movimento que vimos até agora não passou nem perto do que vimos por aqui. Tudo vezes 10. Mais gente, mais rickshaws (bicicleta e motorizado), mais vacas, mais cabras e mais espiritualidade. Varanasi é a capital cultural da Índia. Cidade por onde passa o rio sagrado Ganges, onde a morte e a vida se encontram. A cidade de Shiva é um dos locais mais sagrados da Índia onde peregrinos hindus vêm lavar os pecados da vida no Ganges ou cremar seus entes amados. Foi primeiro chamada de Benares ou Kashi (cidade da luz) e foi renomeada em homenagem aos rios Varuna e Asi que se encontram aqui. Sempre foi um lugar auspicioso para morrer, já que ao morrer aqui você encontra moksha, a liberação do ciclo de vida e morte. O venerado rio é o coração do universo hindu, uma mistura do mundo espiritual e físico. Um símbolo eterno da esperança de gerações do passado, presente e futuro. A mágica e intensa cidade é onde a maior parte dos rituais de vida e morte acontece em público nos ghats (portal/acesso). A possibilidade de assistir aos rituais antigos cativa os visitantes e uma caminhada ou passeio de barco pelo rio é uma das experiências mais interessantes na Índia.
Nós chegamos em Varanasi de tardezinha e fomos até a beira do rio onde toda noite uma cerimônia é realizada por Brahmanis. O rio este ano está bem cheio porque choveu muito. Turistas e indianos se misturam observando a cerimônia.
De manhã fomos conhecer a cidade velha. Imagine uma cidade medieval. Ruelas muito estreitas onde tudo acontece. Lojas de roupas, de flores, de deuses, mercados de frutas e vegetais, casas, padarias, lanchonetes e uma viela que varia de 1 a 2 metros de largura. É possível uma pessoa caminhar ao lado da outra, porém as pessoas são só parte da comunidade. Vacas, bois, cabras, cachorros e macacos também andam pelas ruas. É um pouco assustador estar caminhando e olhando para os lados quando de repente um búfalo vem em sua direção. Sempre calmo. Você se espreme um pouco e ele passa tranquilamente. Atrás dele tem uma bicicleta ou às vezes uma moto. Essa é uma característica engraçada da Índia. Vacas, bois, búfalos e cachorros são MUITO calmos. Não vi nenhum com cara de bravo. Nenhum cachorro vai atrás de você. E as vacas parecem se encaixar perfeitamente em um ambiente que não tem nada a ver com elas.
Barat et sub cu milega – Tudo é possível na Índia. Repetimos essa frase continuamente.
Na cidade antiga também se vê muitas procissões com corpos embrulhados em panos coloridos. Os homens carregam os corpos e vão passando cantando em direção ao fogo sagrado. Alguns não podem ser cremadas no fogo sagrado: mulheres grávidas, crianças com menos de 10 anos, pessoas picadas de cobra, sadus, leproso e animais. O fogo está aceso faz mais de 3.000 anos. Muitas pessoas ao sentirem que estão perto de da morte vão para Varanasi esperar morrer. No caminho para o rio se vê muitas pessoas sentadas. Alguns são sadus, pessoas que se desapegaram completamente do mundo material e passam o tempo orando e meditando. Vivem de esmolas. Outros não dá para saber se são mendigos ou sadus.
O clima no rio é alegre. Muitos tomam banho, outros rezam e uma grande quantidade de pessoas recolhe um pouco da água do rio que é considerada sagrada.
A cidade é caótica e intensa e aos poucos vai te cativando. Ao ver tantas pessoas juntas, tanto movimento e nenhum acidente ou violência o que vem a mente é uma tremenda conexão. Um fluxo do qual todos fazem parte e por alguns momentos o visitante se sente parte desse ritmo de vida e morte de maneira muito mais tangível do que no dia a dia da rotina.

 

Índia – Kochi – 4 de outubro

Passamos 4 dias em Kochi que fica no estado de Kerala no sul da Índia. Kerala significa terra do coco e isso fica evidente já na chegada. Coqueiros podem ser vistos por todos os lados. A culinária local é baseada em peixes e frutos do mar e quase todos os pratos típicos incluem óleo de coco além de leite de coco e coco ralado.
Kochi é a maior cidade do estado com aproximadamente 600.000 habitantes e foi considerada o sexto melhor destino turístico da Índia.
A cidade já foi conhecida como a Rainha do Oceano Árabe por ser um importante centro de comercialização de especiarias. Foi ocupada pelos Portugueses em 1503 se tornando a primeira colônia européia na Índia. O domínio português durou mais de um século e se estendeu até 1663. Todos queriam um pedaço desse bolo saboroso e depois dos portugueses foi a vez dos holandeses e finalmente a Inglaterra.
O porto ainda é muito importante e da varanda de nosso quarto que fica a beira de um canal é possível ver gigantescos navios cargueiros passando.
Apos a independência da Inglaterra Kochi foi a primeira região a se unir ao novo estado da Índia voluntariamente.
Ficamos em um lado muito agradável da cidade onde é possível fazer tudo a pé. Lojinhas e restaurantes estão espalhados por praças e pela beira do canal.
Não vimos tantas vacas nas ruas, apenas algumas cabras. Os corvos no entanto, não deixam a gente esquecer por um momento a sua existência. De manhã acordamos com uma festa de gritos e durante o dia, apesar de não ser tão intensos, os gritos se espalham pelas árvores na frente de nosso quarto.
No segundo dia fomos dormir em um barco. Parece ser uma atividade querida pelos indianos. O porto de saída devia ter uns 300 barcos. A cada dia 8 novos barcos são produzidos. Eles são grandes e confortáveis. O teto é todo de bambu e atrás do barco tem um gerador que dá conta não só de ventiladores no quarto como também ar condicionado.
O barco tinha três marinheiros. Um cuidava do leme, outro das refeições e um terceiro fazia todo o resto. A comida era simples mas boa. Sabíamos que o almoço estava sendo preparado quando sentíamos o cheiro inconfundível do óleo de coco. O passeio foi muito gostoso. O visual era lindo. Coqueiros, pequenas casas, canoas, plantações de arroz a perder de vista. Ver o mundo local no ritmo do barco é uma sensação única. A vagarosidade do barco vai tomando conta e tudo fica mais tranquilo. As 5 da tarde um chá de tchai foi servido com banana da terra frita. Uma delícia. Nossa sala de estar, no meio do barco com um sofá e duas poltronas, parecia meio fora do lugar, mas o conforto ultrapassou qualquer expectativa. Outro item inesperado foi uma TV de tela plana na parede da sala. Aproveitamos para ouvir os últimos hits indianos. Também foi muito bom para a festa que foi organizada com muita pompa e expectativa pela Beatriz. Ela preparou as fantasias, danças e jogos. Foi muito divertido. O espetáculo aconteceu antes do jantar. Não tem imagem mais bonita do que a Be dançando inspirada na Índia e como pano de fundo a noite iluminada pela lua cheia no canal.
Pelo caminho vimos muitas pessoas utilizando o canal para suas tarefas diárias. Banho, limpeza de roupa, transporte e pesca.
A equipe não falava muito inglês, então nossa comunicação foi muito pequena.
Dormi como uma sereia.
No dia seguinte de manhã voltamos para Kochi. Passeamos um pouco pela cidade. De tarde, Renato e eu fomos em busca da tigela de óleo para a Dani. O medico ayurvédico do hotel nos falou de uma loja que ficava do outro lado do canal. Fomos de balsa. O inglês, apesar de ser a lingual oficial do país, não é falado por todos e a comunicação em lugares que não tem muitos turistas fica um pouco complicada. A fila da balsa era grande. Tinha uma para mulheres e uma para homem. Na hora que o portão abriu para a entrada na balsa foi um corre pra capá. Todos queriam sentar nos bancos e o espaço individual é um conceito muito distante nesses momentos.
De noite resolvemos fazer uma aula de culinária. Achei uma sugestão no Trip Advisor. A aula era na casa de um casal indiano cristão. Eles eram muito organizados. A esposa deu o início da aula enquanto seus dois filhos corriam ensandecidos pela casa. O marido ficou de assistente até chegar a hora de preparar o pão.
Ela era toda certinha e seu mis em place foi impecável. A aula começou as 7 da noite. Sete e meia teve um apagão que já era esperado. Eles rapidamente trouxeram duas lanternas e continuamos a aula como se nada estivesse acontecendo. Todos participaram um pouco e até o Renato entrou na dança abrindo o pão que era feito de farinha, água e óleo de coco e frito em uma frigideira de ferro. Aprendemos a fazer 4 pratos. O resultado ficou muito bonito e muito apimentado. Eu só fui pedindo mais água.
No próximo dia Bão, Suo e Be foram a um parque aquático e Renato e eu exploramos um pouco a cidade. Andamos por ruazinhas estreitas e aproveitamos para experimentar uma massagem ayurvédica.
“Neste momento especifico estamos dentro de uma balsa com nossas malas em cima do carro sem estarem amarradas. Houve uma discussão muito grande entre o motorista e alguém que achou que ele furou a fila da pequenita balsa que cabe 10 carros. Enquanto a discussão corria tinha dois indianos do nosso lado abraçados e só ouvindo a conversa. Os homens são muito carinhosos uns com os outros e é comum vermos eles caminhando de mãos dadas ou abraçados.”
Agora de volta a massagem.
Eu adorei a minha. Fiz primeiro uma Abhyanga, massagem no corpo e depois Shirodhara. Foi muito interessante. Sai da massagem bem relaxada e quase flutuando. O Renato já não gostou tanto. Queria só fazer a do óleo, mas o terapeuta se confundiu.
Depois da massagem fomos assistir a um espetáculo de dança tradicional do sul, Kathakali. A maquiagem é bem forte e a dança é famosa por exigir uma destreza na manipulação dos músculos faciais.

Hoje estamos voando para Nova Deli e amanhã iremos para Varanasi, onde está o rio Ganges.